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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

VERSOS E PROSAS: QUENTE


Está quente
Muito calor
A testa molhada
Suor sob o nariz
No peito, água que brilha
Na penumbra refletida
Ambiente aquecido
Ruídos ofegantes
Movimentos constantes
Corações palpitantes
Aumentam o calor
Fica muito mais quente
Fronhas e lençóis molhados
Calor absorvido
Fricção sentida
Suores espalhados
Corpos estampados
Está ainda mais quente
Muito mais calor
Temperatura alta
Gemidos em volta
Encosta e separa
Puxa e solta
Sincronizado vai e vem
A pressão aumenta
Batimentos aceleram
A carne exala
Está esquentando demais
Muito mais do que antes
Dedos não separam
Palma da mão que percorre
Um junta que aperta
Suores se encontrando
De cima para baixo
Gotas que caem
Formando novos suores
Frentes e costas
Inversas e juntas
Apoios e apoiados
Um acelera intenso
Para um intenso que explode
De um molhado afora
Para um úmido adentro
Um quente que fica
Outro tanto que sai
Algo que aperta
Firma o que expande
Leito que range
Pelo peso dobrado
Absorve calor exalado
O momento calado
Serve de abrigo
Para corpos cansados
Um pós relaxado
Momentos quentes
Com muito calor
Muito quente
Um quente gostoso
Em todo lugar

Texto e foto: Orley

segunda-feira, 1 de junho de 2009

PROSAS E VERSOS: TEU

Teu gosto, eu gosto
Teu cheiro e recheio
Tua boca louca, uma voz rouca
Nas estradas e entradas que leva
Nas curvas sob uma luz turva
No aquece que enlouquece
Nada que peça ou impeça
Refletindo no brilho
Dos olhares brilhantes
Dos lábios sábios
Dos suores e úmidos
Do quente apertado
Naquele recebe e oferece
Que mostra e se dá
Que pede e agradece
Como só você pode dar.
 
texto (22.3.2007) e foto: Orley

sexta-feira, 29 de maio de 2009

PROSAS E VERSOS: EMOÇÕES QUE SE ENCAIXAM

Por cima, e acima de tudo, vestido
Leve, mas leve para que veja tuas formas
Por baixo, e só abaixo, uma peça só
Só peço esta peça
Sinto, um cinto como convém
Para marcar a cintura, loucura
No mais, nada mais
Para que eu chegue e encoste
Presente pela frente
A saia quero que saia
Puxo, um luxo erguer num empuxo
Sobe, mostra e deixe que mostre
Joelhos, coxas e quadril
Um quente, quase carente
Um duplo molhado, olhado, oleado
Já sinto, talvez jacinto, forte como absinto
De frente, enfrenta
De perto, aperta
A alça caída, leva num leve levar
Do topo para o meio
Descobre o que te encobre
Pela pele, pelos pêlos
Montes que soube mostrar
Encosta, tuas costas
A nuca nunca esqueci
Um cheiro, ligeiro, mordente
E de repente, somos um só
Não mais só
Só outra vez, um só
Só como um só nó
Enrolado, lado a lado, enroscado
E lembro você a dizer, encaixado
Encaixa bem, é o bem encaixado
Encaixa tão bem que faz bem
Ficará sempre encaixado
No futuro e no passado
Exclusivo de nós dois
Bom que nunca foi tão bom!
 
Texto (20.3.2007) e foto: Orley


VERSOS E PROSAS: IMAGEM DA IMAGINAÇÃO

A janela aberta, o dia.
Da luz umas lembranças.
Da névoa, difusas formas se juntam.
As nuvens carregam imagens de meu olhar perdido.
Os sons, pararam.
A realidade, sumiu.
Entre uma tragada e outra, um filme.
Um tapete, um abat-jour de luz amarela, uma música.
Desfaz-se e recria.
Lençóis, almofadas, penumbra.
Apaga e transforma.
Violetas, pretos, azuis orientais.
A mão no vidro da janela fria.
Parece que sinto.
Acetinados, brilhantes, todos caíndo.
Disperso, imagino e crio.
Cantos, encostos, colo, parede, piso.
A brasa do cigarro próximo ao dedo, lembra.
Calor, suor, temperatura subindo, formas que se juntam.
Na fumaça expelida, uma certeza.
Sensação, finalização, consagração e êxtase.
Na janela, a chuva, água, úmido, gotas que escorrem.
Apago tudo e volto para o chão.
  
Texto e Foto: Orley