quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TEXTO: O EMPALHADOR DE CADEIRAS









Sou um empalhador de cadeiras.

Ninguém mais quer alguém que empalhe cadeiras.

Honesto, sincero, fiel e de boa vontade, mas um empalhador de cadeiras.

Faço tudo com muita boa vontade, tranço, puxo, aperto, sou exigente comigo mesmo, minhas cadeiras ficam perfeitas, mas sou um empalhador de cadeiras.

Luto para que as pessoas enxergem as qualidades de minhas cadeiras, mas ninguém mais parece querer se importar com cadeiras empalhadas.

Deixo muito amor no que faço, alias em materia de amor, me desdobro, me esforço, me entrego, pulo de cabeça, de peito aberto, me dou por inteiro, faço das tripas coração para que reconheçam a intensidade e a sinceridade do sentimento oferecido. Procuro ser gentil, doce, terno, preocupado com os outros, acabo me doando sem ter recíproca, afinal, sou um empalhador de cadeiras, parece que ninguém se interessa por isto.

Fico solitário, tecendo, trançando, dando formas e vida para velhas cadeiras abandonadas e acabo me pegando sozinho, na rua, exibindo meus dotes para alguém que passe, pare e se interesse por um velho empalhador de cadeiras.

Minhas mãos já não tem mais a firmeza de antes, meus olhos doem, as costas ficaram arqueadas, mas as cadeiras, estas sempre ficarão perfeitas.

Pena que ninguém mais reconhece um bom empalhador de cadeiras. As pessoas procuram cadeiras que se ajustem a elas mesmas, só a elas, para ninguém mais sentar. São cadeiras individuais, não que não tenham defeitos, mas tem que servir ao propósito, independente das qualidades. Cadeiras que se amoldem ao dono. Não são boas cadeiras, apenas lugares para sentar, mas servem e estão na moda. Eu nunca serei um bom empalhador deste tipo de cadeira. Cadeiras para se usar e jogar fora.

Ei! Senhora! Precisa de um bom empalhador de cadeiras?

Foi mais uma que passou, não viu, nem ouviu.

Sou apenas um empalhador de cadeiras………. 

Texto e Foto: Orley

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

FOTOS: SÉRIE GENTE




















Gente é sempre bom. Uma diferente da outra. Uma história diferente da outra. Um futuro diferente do outro. Cada expressão uma assinatura pessoal. Adoro fotografar gente e pensar nelas.........  

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

FOTOS: SÉRIE TANGO



















Tango é expressão, passionalidade e movimento. Tango é conquista, força e emoção. Tango é intenso,  fogo, tragédia e sedução. Tango é muito da vida, poucos sabem executar os passos, acompanhar o ritmo, transformar olhares frios em apaixonados. Tango é um viver a vida intensamente.
Fotos: Orley

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TEXTO: DESEJO


Sonhos misteriosos 
Realidades estranhas 
Imaginário que vira real 
Real que se torna surreal 
Tudo é sonho, tudo é imaginação 
Tudo é real, tudo é sentido 
Nada prejudica, nada se desfaz 
A vontade é real ou surreal? 
Quando se encontra um eco 
Tudo pode ser normal 
Mesmo um tanto surreal 
Ou até sensual 
Tudo é parte ou já é o todo 
Tudo se junta, tudo se completa 
A imaginação junta com a ação 
A ação completa a imaginação 
Não tem quero, só tem faço 
Não tem onde, só espaço 
Não tem quando, só instante 
Não tem fim, só novo começo 
Não tem vergonha, só vontade 
A vontade perde para a ação 
E a ação vira emoção 
E o surreal se torna constante 
De tanta constância se torna real
E a imaginação, o real e o surreal 
Viram parte não partida 
De um todo chamado 
Desejo

TEXTO E FOTO: ORLEY

TEXTO: MUITA FALTA

Quando fôr não vou levar o celular. 
É uma pena pois tuas mensagens, falta me farão. 
Será mais uma falta que vou sentir. 
Não vou levar teu cheiro, pois teu perfume ainda desconheço. 
Que falta teu aroma me fará. 
Não vou carregar o gosto de tua boca, nem o úmido de seus lábios. 
Fica contigo a esperança de que estes sabores um dia possam me acompanhar. 
Estou começando a sentir muita falta. 
Queria poder ter levado teu calor, mesmo sem tê-la sentido, pois com êle, ontem, você aqueceu meu coração. 
Calor no coração, isto não falta mais. 
Gostaria de carregar o brilho dos teus olhos. 
Não, não devo, por mais falta que me faça! 
Quero retornar a vê-los em tua face. 
Faltam teus dedos trançados aos meus. 
Na despedida, teria cometido alguma falta? 
Olhou como se a coragem tivesse faltado. 
Tomando meu caminho, faltou algo para dizer. 
Faltou dizer a falta que me faz não ter te conhecido antes. 
Agora não falta mais. 

TEXTO: MEDO


Tinha medo de te tocar aproximava, parava, recuava, queria, mas não sabia o quanto podia te afagar. Sua boca próxima, úmida, aberta, gostosa de rosa macio jorrando palavras de uma voz sensual impelia ao contato ao beijo forte de muitos minutos de muitos desejos de muitas visitas de muitas trocas de tantas salivas de gostos e sabores do início de tantas atitudes era impossível recuar. A luz por detrás, iluminando teu corpo mostrando formas e curvas movimentos macios aproxima e afasta, vira e revira, roupas que caem pele que surge seios que toco gemidos que ouço da tua boca gostosa que fecho com beijos que me fazem carinhos me induzem idéias. Busco teu corpo encontro calor, suores e arrepios, pele e pelos sentidos. Teu corpo se verga o meu se esparrama se afasta, me encosto me puxa, te aperto teus gritos me abafam meus gemidos sufocam tremores e espasmos muitos líquidos se encontram num mesmo momento perdemos o medo de nos encontrar.

TEXTO E FOTO: ORLEY